Laís Thalles
Me diz como não estar
Aqui e (não) ali
O sol estava se pondo. As folhas das árvores cobria o campo. O vento era forte e seu cabelo bagunçava.
Estava deitada na grama com um óculos escuro, cabelo preso e ouvindo música.
Estava deitada em cima de uma toalha vermelha quadriculada.Sentira algo diferente no ar. O chão estava derretendo. Algo estava puxando-a para o subsolo. Algo cuja força era maior que a sua. Era impossível lutar contra. Ao piscar dos olhos o sol já não mais fazia parte de seu cenário.
A escuridão tomou conta de sua vida naquele momento. Sua respiração era ofegante; lágrimas estavam escorrendo e não havia nada à se fazer . Ouvia um ruído que não sabia de onde era. Como uma estação de rádio fora de sintonia.
Estava caída no chão. Estava onde nunca antes estivera. Onde tudo o que quisera fazer, fizera.
No começo a sensação é de desespero, mas logo depois é de comodidade.
Estava fora de órbita por tempo indeterminado, mas ainda deixara algo que pudesse voltar. Um objeto. A toalha quadriculada, na qual continha seus pertences.
Quando sentia saudades das coisas do outro mundo, subia até a superfície para ver como é que estavam as coisas, se algo teria ou não mudado. Se as pessoas teriam ou não sentido falta de sua presença que era sempre motivo de alegria para quem a amava.
O amor que antes havia por completo, agora não existe mais.
à princípio ela sempre subia à superfície para respirar um novo ar. Mas não poderia ficar em dois mundos para sempre. Já bastava o sensível.
Decidira então não mais subir.
Decidira pela primeira vez o que ela realmente quisera. O que por muitas vezes fora barrado, ou com pessoas sobre achismos e sem argumentos.
Optou pelo inteligível.
Conforme o tempo passara, estava cansada demais da perfeição. Aquilo não mais era para ela.
Era apenas um momento de fuga. Não poderia ficar ali todo tempo.
Por um longo tempo esquecera do que um dia fez parte de sua vida. Lá era como se outrém não mais a controlasse.
Lá também havia um céu, também havia um sol, também havia uma grama.
Estava sentada na grama e havia um pote de vidro com a tampa com a mesma cor de sua toalha, onde
com a ponta do dedo, escrevia no ar, tudo o que pensava sobre aquele outro lugar. Era como um diário propriamente dizendo. As letras apareciam lindamente e desapareciam suavemente, encaminhavam-se para o pote, como se já soubesses exatamente o caminho à seguir.
Era lindo. Tudo era lindo.
Mas era tudo perfeito.
Perfeição esta que não fazia parte de sua essência.
Acordara como se houvesse tido um pesadelo; e como se esse pesadelo quisesse realmente passar uma mensagem à ela.
Sentou-se na cama, procurou os chinelos;levantou bruscamente à procura de um espelho para ver como estava. Precisava de um ar puro.
Desceu as escadas, abriu a porta dos fundos e ficou no quintal. O vento era gelado e a fazia pensar rapidamente em todo o sonho ou pesadelo que tivera esta noite. Alguns minutos se passaram e ela não podia ficar mais ali, estava chovendo.
Era de madrugada e não havia ninguém ali. Ela estava sozinha. Recolheu-se novamente até seus aposentos. Subiu as escadas, entrou no quarto;deixou os chinelos à sua frente. Deitou-se. apagou a luz do abajour e virou-se para o lado.
Uma expressão de susto tomara conta dela naquele instante. Seus olhos estavam arregalados.
E o pote estava lá.
Things Behind The Sun
[…]
Creio que (não) há saída
Talvez eu precisasse ver.
Sei que não mais estou presente. Não sei o que se passa com você.
A dor maior é saber que o plural não há mais. E por mais que alguém tente, nunca vai mudar.
Talvez esteja buscando em alguém o que não deveria. Mas se não há de fato, a única maneira é a semelhança.
Indiretamente percebo que o tudo virou nada.
Aqueles olhos azuis e grandes olharam-me tão fixamente, parecia-me uma mensagem indecifrável.
Tudo.
O olhar. As conversas no telefone. O sonho de ter um..
Tento não pensar.
Tento não pensar.
Tento não pensar.
E não há como não pensar!
Sabe que não há!
Não sei o que pensa.
Não está sendo fácil.
Continuo com achismos, por incrível que pareça.
Certeza não tenho mais.
Tudo é confuso. Mas talvez eu saiba a ordem de tudo isso.
Talvez queira que tudo voltasse.
Vejo que em partes continua igual.
Tudo volta..
Tout me rappelle de vous.
Je me hais pour cela et de savoir le sentiment est toujours là
Enquanto adormece
O mesmo do mesmo
Do céu à terra,
Encontro em você o sorriso mais largo.
Encontro um olhar apertado,
O pensamento ocupado,
Traspassado e alternado
Pelas cores;
Talvez amores
E não rancores.
O dia continua e você ainda está lá.
É como estar e não estar.
Dum sorriso largo
Ao olhar querendo fugir.
Fugir de tudo.
A vontade de não mais estar ali
Permanece cada dia mais.
Nada pode ser como quero que seja
Ao menos penso assim.
Queria poder Estar,
Tentar
Falar…
Meu corpo congela
E deparo-me apenas
Acompanhando os movimentos.
Claridade
Um dia você dorme no céu e acorda na terra.
Não foi por querer, juro.
Talvez você tenha pensado o mesmo que eu.
Ou não.
Mas as coincidências são tantas.
Pego-me agora fora de órbita.
Uma estranheza sem tamanho dominara-me por um tempo indeterminado. Talvez até eu encaixar as peças que faltavam.
Um anagrama. Talvez soubesse decifrá-lo, e então não precisasse de uma tecla SAP.
Devastado
Meu corpo está presente
Minha mente está ausente,
Da memória
Que outrora
Os outros guardariam
E sorririam para mim
Esperando sua hora de encenar.
Tudo aquilo que estava preso em suas gargantas
Soltam com alívio.
Falam do Amor
Pensam na dor
Guardam rancor
Choram pelo sofrimento,
Que ainda arde em seus corações.
Canções.
Canções que não saem da cabeça
Ao mesmo tempo,
Querem e não querem que desapareça.
As lembranças são angustiantes.
Agonizantes,
E mesmo assim.
Sem pensar em um fim
Não querem que as recordações,
Não mais façam parte
De tudo o que já existiu.
Uso do plural,
Num tom acumulativo
De expressões e colocações.
Contradições.
Das quais falo por todos,
Mas em verdade
Referindo-me à mim.
Do pensamento à realidade
Não consigo ser de outro jeito.
Não consigo fazer coisas somente por fazer, ou pra simplesmente esquecer.
Não quero e não gosto.
O que houve foram apenas escolhas.
Deparo-me muitas vezes com pensamentos incessantes e indefinidos..
Cada um é de um jeito.
Um jeito meio confuso e algo indecifrável.
Do pensamento à realidade, vivo.
Algo me chamara atenção. O que para muitos, não há atenção à ser chamada, mas que para mim, pelos simples fato de um sorriso..
Não espero nada, mas gosto de saber que está por perto.
