Umas de Caetano

Rapte-me, Camaleoa

Rapte-me camaleôa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De uma quasar pulsando lôa
Interestelar canoa…

Leitos perfeitos
Seus peitos direitos
Me olham assim
Fino menino me inclino
Pro lado do sim…

Rapte-me
Me adapte-me
Me capte-me
It’s up to me
Coração
Ser querer ser
Merecer ser
Um camaleão…

Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas…

Não me arrependo – Caetano Veloso

Eu não me arrependo de você
Cê não me devia maldizer assim
Vi você crescer
Fiz você crescer
Vi cê me fazer crescer também
Prá além de mim…
Não, nada irá neste mundo
Apagar o desenho que temos aqui
Nem o maior dos seus erros
Meus erros, remorsos
O farão sumir..
Vejo essas novas pessoas
Que nós engendramos em nós
E de nós
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz…
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!

O gato sem rabo e a senhorinha

Ainda lembro dos jogos de baralho, dos bolos só para mim; de quando eu não queria comer e tinham de fazer casinhas para eu em distrair. Ainda lembro do velho cheiro de baralho. Da essência que nele está presente. A sua essência. Por coincidência, o mesmo dia. Trocávamos presentes.Lembro de quando falava sobre aulas de etiqueta.
Sempre impecável.
É doloroso saber que não mais poderei ver-te. É doloroso saber que não terei mais o seu abraço ou paparicos. Tudo tão de repente.
Ainda lembro do seu último olhar. Sabia que queria dizer-me algo, mas não deu tempo. Pude apenas sentir um ardor em meu coração, a tristeza e a saudade.
Não era letrada, mas sabia muito mais coisas do que alguém que conhecesse o abecedário de ponta à ponta.
Lembro e ainda procuro a mesma água de cheiro que usava.
Seu gato, sem rabo; mas o gato mais lindo de todos e mansinho.
Em minha memória, até quando eu parar de respirar.

Sem reação

Contenho-me. Minha respiração sempre pára por um momento.
Não sei o por que. Ou não quero saber.
Se eu realmente souber,a dificuldade estará elevada ainda mais.
As vezes as pessoas cobram palavras uma das outras, e não só palavras, e esquecem de que há momentos que não necessitam de nenhuma palavra.
Apenas detalhes, para quem gosta de detalhes. Fazem toda diferença.
Um olhar. Um sorriso.
Ou então apenas sentir a essência.

Quase cor de mel

A respiração não estava normal.
Estava frio, muito frio.
Por um instante, quis voltar. Mas a vontade me dominou.
Aquele olhar, aquela voz, as cores alternadas, encantam-me cada vez mais. Por uma fração de segundos pude sentir sua respiração.
Olhares encontraram-se.
Que olhos! Senti que ali havia um sorriso por dentro.
Um sorriso tímido.
Seria bom, se durasse mais.
Agora,algo tornara-se diferente.
Uma alegria inundou meu ser.
Talvez outro raro e puro sorriso, com um tom de leveza e felicidade, estaria estampado naquele momento.
As bochechas não mais estavam brancas. Havia uma cor. Um tom saudável.
Por um instante.

Todo dia não é um bom dia

A questão é a suavidade e a gentileza.
Algo como entre o querer e o poder.
O querer é quase que alto, mas o poder, por hora é impossível.
Encontro-me em duas dimensões, novamente.
Dimensões que parecem não acabar.
Ainda permanecem transparecidas em meu ser.
Confesso que há outras possibilidades, porém seria uma desonra, da qual não faz parte de mim.
Há pessoas que utilizam esse método sem pensar nas consequências.
Sentir é fácil. Decifrar? Já não sei.
Não sei como seria se de fato ocorresse.
Agora vejo uma tristeza que está por vir.
ou não.

No compasso da nascente

Deixo tudo me levar
O sol, a brisa, o mar.

Na correnteza da vida
Passo os dias nadando
Na profundidade
E na incerteza dos pensamentos.
Aborrecimentos.

Quase não subo para respirar
O ar poluído
Corroído
E constituído de tristeza

Mergulho brevemente
Na nascente
Inocente
Juntamente com a calmaria
A pureza e a alegria
Descanso meus dias
No compasso da sintonia
Até raiar o dia.