Apenas quando você quer descansar. Ir à um parque. Deitar na grama. Sentir o ar puro te dominando. Não pensando no que te atormenta, mas sim no que te acalma. Apenas por um segundo, você ouvindo a melodia. Entrando em contato com seu eu interior. Com fervor. Ouvindo as batidas do coração. Sentindo o cabelo balançando com o vento. Nada de tormento. Apenas você, o sol e o vento.
Pelo simples fato da existência e de sermos mutáveis conforme o tempo, fazemos coisas sem pensar. Fazemos por que queremos e quando queremos, não nos importando com os outros. Ou importando-nos demais. Importância. O que muitos dão às pessoas que talvez nem sejam tão queridas assim. Mas pelo fato da aceitação. Imploram por aceitação. São outros para serem si mesmos. Nunca estão satisfeitos com o que são. Podem até saber quem são, o que pensam, quais são os princípios, se é que existe algum princípio. Fazem o que muitas vezes não querem fazer, mas acabam que fazendo por aceitação. Resignação dentro de uma tribo. Tribo urbana. Será mesmo que tudo isso é preciso?
Ando, ando, ando. Respiro. Corro. Muito. Respiro. Respiração ofegante essa que parece não cessar. Corro mais. Descalça. Até meus pés sangrarem, na rua de pedra. Corro de olhos fechados. Sem pensar em quem estiver na minha frente ou ao meu lado. Corro, corro, e corro. Pra chegar aonde? Nem eu sei.
Eram apenas construções com umas barracas na parte da frente. Como se morassem mais de duas famílias no mesmo local, porém em casas diferentes. Havia muita areia, tijolos, cimento. Lá estava ele. Surpreso com minha presença. Não poderia ficar muito tempo ali. Tinha uns compromissos depois. Lembro que eu queria comprar um biquíni. Então, fomos até a pista e fizemos uma lotação parar: – Com licença, será que você pode nos dar uma carona até a avenida principal? – disse num tom meio tímido. O motorista não hesitou e disse: – Sim. Subimos então e nos sentamos. Eu no banco da frente e ele no banco de trás. Chegamos. Fui logo entrando na loja e ele ficou me esperando do lado de fora. A vendedora mostrava-me uns com as cores do verão e os mais vendidos. Nada me agradava. Eu só queria um preto básico. – Você não tem um preto básico? – perguntei a vendedora super atenciosa. – Humm.. deixe-me ver.. Ah! Acho que encontrei um aqui.. – Posso ver? – Claro, espere um instante. Enquanto ela foi pegar eu dava uma olhada na loja. Era quase toda branca e tinha um perfume bom.. como sândalo..era agradável. – Bom, aqui está! – ela me disse. – Ótimo.Vou levar.
A praia era bem perto e eu queria dar uma volta. Sentia a areia da praia entre os meus pés. Sentir a suavidade da brisa. A maciez do vento me tocando suavemente. Como aquilo tudo era bom. Fomos depois à uma sorveteria e pedi o meu preferido. Flocos. Voltamos à um quiosque perto da praia a lá ficamos conversando por algumas horas. O tempo não era o mesmo. Muitas nuvens surgiram no céu. Então, a qualquer hora poderia chover. – Vamos embora daqui? – Disse ele com um tom gentil. – Por que? – Porque vai chover. Olhe para o céu. – Deixa chover! – Bom, se você insiste mesmo em ficar aí, eu já vou indo. – Tá. Essa foi minha única resposta. Ele agora já havia ido embora e eu estava lá. Olhando aquele belo mar. Será que eu deveria pedir desculpas? Mas pedir desculpas pelo quê? Eu não tinha feito nada de errado, tinha? Só queria aproveitar o tempo livre que me restava. Ele deveria enteder. Mas não entende. Ninguém entende. Bom, Jeff Buckley me entenderia. Levantei e peguei um táxi até a rodoviária.Comprei a passagem de volta. Quando se pensa em descansar, não há descanso. O que me restara era ouvir Jeff. Assim eu estaria melhor.
Estava cansado. Acabara de vencer uma guerra. Ainda não sabia o que faria dli em diante. Mas só sabia que estava no caminho certo. Talvez estivesse mesmo. Espero que não seja tarde. Talvez passe por aqui. Não tenho esperanças. Porém, quem sabe um dia sua curiosidade fala mais alto que seu ego? Acho que ainda há perguntas que você faz para si mesmo que não encontrou respostas. “Por que você pergunta tanto?” O que seria de você sem as minhas perguntas? Você já sabe a resposta. Só precisa se dar conta disso.
Encontro nas mãos do soldado as marcas do destino. Destino incerto. Ou não.
” Seu nome está errado Sua vida padronizada Tente aprender Tão único é viver
“Não tente ser o que você não é! Não tente ser o que você não é! Não se engane, lute pra mudar De olhos vendados não seja manipulado Santa ignorância Não tente ser o que você não é!” – Quarentine
Sonho. Não consigo definir os rostos. Apenas sonho. Tenho apenas três falas:
Quem é você? O que você fez? O que você possui?
Espero que entenda o que quero que entenda. Ligue os fatos.