Sensibilidade à capela

A graça na praça disfarça o chororô
Proximidade de despedida
Um nunca mais ao pé do ouvido
Triste jovem que passa longe
Sucumbe em alegria saturada

Tentativa que não se ouve
Que não se justifica
Que magoa e difunde
Somos o que ainda não nasceu

Ápice ilusório de quartas a tarde
Transmutam-se em vibrações de um campo de futebol
Um dia
Apenas um dia e as árvores todas estarão dando frutos

Amores brutos enlouquecidos
Desviados de suas preferências
Um fruto partido se tem em dois corações
Perdido em tristeza
Se faz assim o homem livre

Linguagem vítrea

Ausência é tortura

Um sonho tão real e movediço
Sonhos. Vislumbres da realidade. Restos do cotidiano
Caminhamos os entre nossos próprios desejos
Apalpamos os sonhos que parecem nuvens
Somos a Carne que sucumbe ao por do sol que perfura a epiderme
Somos o encanto de hora polida em duetos de interfaces
Há um abismo entre o olhar é o falar
Deus,tende piedade de nós
O verde ainda permanece
Mesmo que não seja a cor preferida
Estado de consciência que transborda liberdade
Sussurros golpeiam-me a alma
Desejo de não estar
Deus, tende piedade de nós
Despedimos de nós mesmos
Pra onde vai a arte?
Arte que se quer escolher
Fazer o que se quer fazer
Emaranhado de pensares que não se dillui
Estado de corpo vítreo embebido do sangue de Dionísio 
Que se faz presente em em danças
Deus, tende piedade de nós
Somos o pó
Somos a voz aniquilada em muralhas ácidas prematuras
Deus, rogai por nós

Aunque no sea por mi

En un segundo mi alma cambia de estado sólido a gaseoso

Oigo incertezas cantando por las calles
El sonido paraliza mi olor y no puedo despertar
Mi mente esta atenta a cualquier cosa, cualquier imagen distorsionada, aniquilada
De pronto, las almohadas me sofocan
Empiezo el día temprano y estoy dentro de una cueva, sufriendo de dolor En el silencio de la sonrisa una borrasca me invita a abrazar el abismo

Quando os versos despencam

Estrelas andam caindo no asfalto duro e sem graça

Saão duras e estranhas
O brilho já se apagou
Estão imperceptíveis 
A chuva toma de conta do humor ácido de a redoma de vidro
Um querer que não é o mesmo 
Águia esguia e calorosa drapeia o coração novo
Sinto-me aquecer e congelar
Histórias não serão mais contadas os falta de vontade
A arte está suspensa
Estamos sós.

Passagem de ida

Em dias cinzentos, de chuva, ouço seus passos de pés descalços pelo piso de madeira. O frio se convida para adentrar-nos.
Em tempos de poesia de luz vermelha, fecho os olhos e embarco num sonho triste de notas agudas e uma voz que já não ouço de longe.
O sol é o nosso despertador
Quando acordo, ali está você: pedaço de ouro que lapidaram demais
Pureza se esvai em muita fumaça de um sorriso que não foi visto
A beleza é passageira
Feliz é aquele que sabe conviver com si mesmo.

Pássaro (im)par

Voar por entre os muros de concreto 

Desfazendo-se em pedaços de rosas salgadas e sangrentas
Libertar-se
Alegrias que se dissipam em tardes de olhares
É só fechar os olhos e sentir a saudade batendo em seu corpo
Como quando sentimos o calor súbito sendo quebrado por gotas geladas de misericórdia
O primeiro a tornar-se dois
Surpresa intacta
Envolta de mimos e truques

Entre quedas e confins

O barulho me atormenta
Não poder ter um minuto de paz
Ouvir aquelas melodias ridículas e podres de uma mesma nota
Fazem minha mente querer estar em outro lugar
Um falatório absurdo
Momento em que apenas um livro seria a chave
Lugares
Mares
Mergulhos
Apenas fechar os olhos e saber que está lá
O samba
Tão lindo e sutil
Em Cartolas brotam rosas maravilhosas
Um chapéu, uma xícara, um óculos escuro e só
Felicidade dá-se em passos de arco-íris.

O cru e o cozido

Com o telefone na mão espero o previsível.

Os olhares, os sorrisos. Indiferentes.
Por que não permanecer limpo como o seu girassol?
Uma luz verde pisca
Verde outro tempo
Passos  pequeninos saltitam na cerâmica ao som de calle 13
O tom camomila comprido se faz em dias de sol
O sorriso incompleto em formação
Aspirações 
Silêncio convertido em som

Dáme un Daime

Camino entre las nubes de la conciencia 
que sale 
En una noche de luna llena lejana
Sigo suspiros temblorosos 
Soy la flecha que perfora su abdomen
Soy la aguja que hace la puesta del sol no resucitar
Y que corrompe su alma