No lo sé

Cuando cierro mis ojos puedo creer que lo futuro no está donde él debería. Son cosas que la vida me ha dicho. Y que no puedo olvidar.
Quedo ahora en un abismo de la estupidez. Hoy he recebido la visita de Neruda. Vino a decirme que las cosas son como son…

De quando em vez

Tudo desaparece.
Nada volta como deveria ser.
De quando em vez, pego-me em sonhos que não parecem sonhos.
Sonhos descompassados.
Sonhos que vem e vão sem deixar resquícios de outrem.

Olhos de Édipo

Olhos de sangue que gritam o silencio que arde nos raios da inconstância.
Olhos que desaparecem. E transbordam. E transformam. E transtornam.
Olhos de Édipo.

Vida sem vida

O tempo é o abstrato derretido
Na imensidão do fazer ou não fazer
E por que há de se  temer o aqui e agora?
Vambora!

Eu quero o agora no futuro
Sem pensar que outrora
Ficaria no escuro
Abjuro

Quero uma vida mais vivida
Não deixar a alegria contida
Reprimida

Deixar que ela transpareça
E jamais permaneça
Escondida numa caverna
Não mais terna
Sem ver outrora
O quão bela é uma aurora

Querer que se quer querer

Que vontade é essa que existe em mim?
Que nunca fez parte de mim, assim.
Tantas coisas a serem pensadas
Tantas coisas inacabadas

O desenho está se formando
Posso então ir andando?
Há uma força que não deixa eu ir
Pois há também o receio de partir.

A vontade e a contra vontade
Fazem de mim a inconstância.
Que repugnância!
Que severidade!

Quero um querer que não posso
Um querer que não é meu
Que não é nosso
Que não é fariseu.

Mais do que corpos

Eram almas dançantes
Impressionante.
Dançavam uma linguagem distinta.
Assinta.

Falavam por meio de suas canções
Abolições.
Revoluções!

A música contagia.
E quando se percebe,
Já se trocou a noite pelo dia.

Que alegria!
Que fantasia…
Que Antropofagia!

Um, dois, três, peguei

É engraçado como coisas estranhas acontecem a todo o tempo. Coisas que não aconteceriam contigo se você não estivesse naquele lugar e naquela hora.
Somos escolhidos pelo destino.
O destino que é incerto, o meu destino sem cartaz e nem adivinhações.
O destino que brinca de esconde-esconde, e a vida é quem diz ” Um, dois, três, peguei”.
Gosto de falar sobre a vida. A vida em seus momentos feitos de imperfeições. Momentos caóticos, sem razão.
Dizem que para tudo tem um porquê. Mas pra que?
O Porquê já diz por si só. E eu gido por mim. Só.
Só, como o vento que venta pra uma direção contrária, imaginária. Tentando buscar em seu caminho uma direção a seguir;deixando fluir.
Os conflitos já foram deixados de se pensar há tempos..mas a inconstância ainda continua.
Inconstância essa que é parte de mim; assim.

Saída de emergência

O Passado ainda se faz presente.
Não consigo compreender o por quê. E afinal, há de entender?
Tanta subjetividade, tantas adivinhações, tantas convicções, tantas definições, tantos enigmas, tantas vontades, tantos paradigmas, tantas lágrimas. E tudo para o  ‘não saber’.
Me faço do ‘não saber’ para saber. E no fim,  deparo-me ainda  com o  mesmo.
E ainda há muito o que se pensar. E, se pensar é, ás vezes conflitante, opto então pela minha saída de emergência. Escrever.

Dias que não são nuvens

O tempo é tão louco.
O tempo não é tempo.
O tempo é pouco.
Sou tão pouco.
Com você.
Eu queria ser mais.
Nos dias sem iguais.
Sou dias de chuva; de frio. De agonia.
Sou dias que não são nuvens.

Vermelho dezesseis

O vermelho tomate.
O vermelho oito letras.
O vermelho das mulheres.
O que combina ou não combina.
O licor humano.
O vermelho tirano.
O pano do toureiro.
O coração do mundo inteiro.
O vermelho que engana.
O vermelho na cama.
O vermelho fatal; sem igual
O vermelho da rua.
O vermelho da boca.
O da vergonha.
O do frio.
O vermelho dezesseis.