Lummus

Vê o que vejo?
Sente o que sinto?
Toca o que toco?
Não.

Do labirinto posso ver que está perdido.
A saída está perto.
Siga seus instintos.
Sua intuição.
Deixe que o ‘thaumatzen’ domine você.
Olhe a vida com olhos de brinquedo.

O Pastor Amoroso

VI

Passei toda a noite, sem saber dormir, vendo sem espaço a figura dela E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela. Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala, E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança. Amar é pensar. E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela. Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela. Tenho uma grande distracção animada. Quando desejo encontrá-la, Quase que prefiro não a encontrar, Para não ter que a deixar depois. E prefiro pensar dela, porque dela como é tenho qualquer medo. Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só pensar ela. Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar. 

Sob o olhar de um lírio

Pare, pare, pare.
Olhe.
Olhe em volta.
Veja.
Veja o que te atrai,
O que contrai
O que distrai.

O que olhou?
O que gostou?
Suspirou?

Pare, pare, pare;
Olhe.
A esperança,
A confiança,
A tolerância,
A exuberância

Pare, pare, pare.
Olhe.
A alegria,
A sintonia,
A energia,
A melodia…

Pare, pare, pare…

Até

O sol já não nasce.
O céu caiu.
A lua se foi
E não há transformações em noite de lua cheia,
Não se ouvem mais uivos,
Nem nada do tipo.
O frio aumenta.
Tudo está cinza.
Perde-se na imensidão.
Escuridão.