O dia que é sempre noite
Hoje quis nadar para não ouvir
Água que leva o corpo em consciência
Turbulência insuportável
Não conseguir ficar perto
Para onde vai o que já foi descoberto?
Agonia me persegue
Quero a eternidade dos amores
Um amor que se penso muito me dói
Coração estrela bombeia e reconstrói
altamente brilhante
Astro rei quente & constante
Adormece na terra da garoa
E somente aí nasce por sobre uma canoa
Serpentinas no ar
Fazem meus olhos lacrimejar
Encontro-me num desencontro e pensamentos
Quereria eu poder mudar seus argumentos
Tão denso e fino assim é o amor
Na espera de uma cor
Pergunto a Vós
Sentinela viva, doce e marcante
Há ainda um eu flutuante?
Adormeço e sonho
Plumas e Algodão
Ventilação
No terraço,um alazão
Ouço a voz
Mas ela não me ouve
sinto-me em veias atroz
Coração feroz
Da boca que não ouve
Da orelha que não fala
Tão vazia está a sala
Sinto-me derretendo
Coração quase que não batendo
Emaranhando-me em uma teia jasmin
Dou-te um beijo em sonho, anjo meu
Querubim
Desabafo em tinta passada para a nuvem
Soprando fuligem de letras miúdas e turvas
Caminho sem pés
Quero encontrá-lo
Quero estar
Meu corpo está despedaçando
Sinto-me como um sorvete
Doce e derretido
Ainda te vejo
Ainda sinto o seu cheiro
A noite pra ti é dia
nas entrelinhas estão as alegrias
Pequenas viagens de solidão
Coração vulcão
Prestes a entrar em erupção
O dia está difícil e a cada hora que passa eu sinto a sua falta.
Minha casa é de vento
Minha poesia: de pensamento
Caminho e canto outrora
Quereria eu estar contigo sem demora
Você duvida
Mas é verdadeiro
Te gosto assim meu belo amor inteiro
Você vive horas mil
E agora o que me resta é aguardente no cantil
Quando fecho meus olhos posso te ver
Esperando um abraço e um beijo ao amanhecer
O travesseiro está vazio
Alto branco e macio
Esperando que um dia você volte a deitar ali
Caminhando pela rua
Ainda sinto seu cheiro
Alguém passa por mim
E a suavidade vem até mim
É como se eu estivesse perto de você
Por um momento
Se esvai meu sofrimento
Talvez eu possa respirar um pouco mais de ar frio
E não sentir em demasia o vazio
Quero poder falar muitas coisas
Mas permanecemos no mesmo lugar
Eu te quero muito bem
Sentimento que vai além
Sem perceber
Só o bem
Mesmo que partindo eu esteja em um trem
Minha alma caminha pelas nuvens
Com vinho tinto pintando orquídeas azuis
Elas não são mais das mesmas cores
Mas continuam sendo uns amores
Sendo ainda orquídeas
Talvez eu quisesse uma dessas na minha cabeceira
Bem assim dócil e ligeira
Mas a minha planta preferida são lírios brancos
Charmosos com seus pensamentos francos
Em paisagem cor de terra translúcida
Pinto minha angústia
Com letras e versos
Funestos
Pra um dia eu me curar
O que eu vejo é o vazio das cobertas geladas
Calmaria das madrugadas
Noites desleixadas
Sucumbidas em agonia de pura maestria
Não quero mais estar
Não quero não poder olhar
Não quero dormir, acordar e você não estar
Alegria chegou de supetão
Em dois minutos se fez explosão
Logo depois disse que iria embora de avião
A poltrona estava vazia
Acinzentada seca noite e dia
Noite que é mais noite do que dia
Fuso horário que agonia
Não vejo mais o sol
Meu coração pescado foi por um anzol
Quando eu estava com as estrelas
Onde cavar ar puro e natureza?
Seus cílios piscam o tempo vencido
Éramos plural: Eu, você e o nosso amor amanhecido.